#Dicas de escrita – Como criar personagens fortes

Construir personagens cativantes, com personalidades reais, totalmente desenvolvidos e que façam o leitor se preocupar verdadeiramente com o que acontece com eles é algo que você não pode se dar ao luxo de estragar, afinal, ninguém quer ler sobre um personagem chato, se ele não prender imediatamente a atenção do leitor com uma introdução forte, sua história já estará morta. Você obviamente não terá uma segunda chance para causar uma primeira impressão poderosa.

Dicas de escrita - Como criar personagens fortes

Como dar vida a um personagem interessante

Para criar personagens que os nossos leitores se sintam apaixonados você precisa cavar fundo, ir além das expectativas, só estará totalmente desenvolvido quando o leitor sentir que ele existe independente da história, que é uma pessoa completa com sua própria vida fora do escopo do livro em questão e puder imaginá-lo perfeitamente em outros lugares e situações. É por isso que seu personagem deve ter uma maneira única de ver o mundo e se relacionar com ele.

  • Dê um nome plausível com a história, nada impede sua criatividade nessa hora, mas procure adequar os nomes à época em que a história acontece, leve em consideração a cultura, o país, pesquise por nomes reais ou crie sem destoar do contexto.
  • Aposte no incomum. O leitor vai amar encontrar seu personagem em um lugar que ele ainda não conhece, lugares exóticos ou mesmo estranhos causam interesse. Também é possível colocá-lo em uma situação incomum, torcer  a trama de uma forma que o leitor fique com os nervos à flor da pele para saber como o personagem lidará com a questão.
  • Crie um passado, presente e possibilidades para o futuro. O personagem precisa ter uma história que justifique sua maneira de agir, seus costumes e ideais. Com quem ele já se relacionou? Quais são suas influências? O que ele gosta de fazer? No que ele acredita? Faça mais perguntas e descubra quem seu personagem é. Você não precisará contar todas as informações no seu conto, mas mostrar de um jeito sutil que seu personagem tem uma bagagem como qualquer pessoa real.
  • Um pouco de exagero é sempre bom para fazer o leitor lembrar-se do personagem. Dê a ele uma característica incomum ou exagerada, isso fará a imagem dele memorável e clara na cabeça do seu leitor. Ele é muito alto, tem alguma cicatriz, é muito tímido, seu cabelo é vermelho. Lembre-se de citar essa característica ao longo do texto como marca do seu personagem. Se os olhos dele são de um azul único, você pode apenas dizer, por exemplo: um par de olhos profundamente azuis encaravam os meus. Assim seu leitor já sabe a que personagem você está se referindo.
  • Seu personagem precisa se comportar de uma maneira consistente e real, agir conforme sua personalidade, se não for o caso ele será só mais uma figurinha de desenho chato. Uma emoção desencadeia uma reação que deve ser credível com a forma com que seu personagem lida com o mundo ao seu redor, e sua decisão deve estar de acordo com toda a tecitura da sua personalidade. É claro que ele também precisa nos surpreender e, às vezes, agir de forma inesperada, mas ainda assim sem perder sua essência.

Para finalizar, preciso dizer que ainda há muito que aprender, esses são apenas alguns pontos para se levar em consideração, mas ainda existe muitos outros, não queira me matar por isso :) É necessário desenvolver a empatia do leitor e fazer uma ligação emocional com seu personagem, esse é um caminho particular que você deve construir com maestria a fim de tocar corações e criar uma história memorável.

PS. Provavelmente vamos falar mais sobre a construção de personagens, porque um texto só ficaria gigante haha. Para ler mais dicas siga a tag Dicas de Escrita.

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Beijos no coração e vou amar quem deixar comentário, ok? =)

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#Dicas de escrita – O coração da história

Se você é um aspirante a escritor e quer aprender o ofício, vamos falar de algo importante, aquilo que prende nossa atenção, a parte mais importante e que você não deve negligenciar, tão essencial quanto um órgão vital: o conflito.o coração da históriaBem, a princípio podemos querer criar personagens cativantes e únicos, uma configuração extraordinária, com cenários especiais que nos transportem para outra realidade, tudo isso é ótimo, maaaass… se o conflito não for instigante e poderoso, você estará em apuros. É por causa dele que o leitor irá devorar as páginas e se perguntar por que o livro acabou.

Quando a receita é boa a gente dobra, não é? Então, nada de um único e solitário conflito. É claro que precisamos de um que seja o principal, intrigante e envolvente, mas podemos ter vários secundários: um conflito interno, externo, romântico, de identidade, social, natureza, trabalho, familiar. A história não deve girar em torno de um único ponto porque ficará cansativa e irreal. A vida de uma pessoa é um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo e com seu personagem não pode ser diferente. Cada cena deve ser estruturada em um conflito, ou até mais se você for hábil para não tornar o texto confuso. Assim como as leis da física sustentam o mundo, essa é a lei que irá garantir o sucesso ou fracasso de sua história. Quando iniciamos uma leitura devemos identificar quem está em cena, o ambiente, e qual é o grande conflito. Porque personagens precisam ter uma meta, um objetivo para cumprir, um sonho que pareça impossível, se não for assim, explique-me o que seu personagem está fazendo ali vagando sem rumo por sua história?

Mais uma vez aqui a equação de equilíbrio do seu conto:

Cena = Personagem + Ambiente + Conflito

Cada personagem deve ter uma motivação forte para perseguir um conflito, essa é a forma mais fácil de criá-los. Por exemplo: é muito mais impactante quando o herói salva a vida do seu interesse romântico que de alguém com quem o leitor não esteja emocionalmente envolvido.

Então, agora que você já tem a primeira peça do nosso quebra-cabeça, seja razoável e a use imediatamente em sua história. Nada de começar um livro com informações demasiadas sobre os personagens e cenários, o início deve conter mais ação e drama para capturar o interesse do seu leitor, você terá tempo de aprofundar nos personagens e mergulhar no cenário algumas páginas mais adiante. Mas veja bem, é claro que para que o conflito funcione, você precisa ser astuto e distribuir algumas dessas informações no início, estabelecendo personagens simpáticos, que criem uma raiz de interesse no leitor, apenas não o explore demais, deixe que o leitor tenha vontade de descobrir mais sobre ele, a mesma curiosidade deve ser despertada sobre o cenário. A trama central deve ser introduzida com promessas difíceis de cumprir, prenunciando ao leitor um poderoso impacto emocional, juntamente com informação suficiente sobre personagens e configuração para que ele se sinta emocionalmente envolvido no sucesso do protagonista. Então lembre-se: o conflito é o coração da história.

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Beijos no coração e espero os comentários de vocês sobre o texto ;)

#Dicas de escrita – Os sentidos

amanda vieira

Quer saber por que um filme nunca vai ser tão bom quanto o livro do qual foi adaptado? Essa resposta tem a ver com os sentidos, e é sobre eles que vamos falar. Por mais que um cinegrafista seja excelente, ele não vai conseguir chegar tão perto dos sentimentos e motivações de um personagem quanto o escritor.

Então o que acontece quando assistimos a uma adaptação é parecido com ir ao seu restaurante favorito depois de passar no dentista. Você pede aquela massa suculenta e não pode degustá-la plenamente porque está anestesiado :(

Em um livro, é possível mostrar o que seu personagem vê e como se sente em relação a isso, seus medos e suas dúvidas, o cheiro que um lugar tem, quão áspero ou delicado é aquilo que ele toca, o som ou silêncio de um ambiente, o prazer ou desgosto com algum sabor. Uma câmera dificilmente pode fazer o seu leitor sentir as emoções como o próprio personagem.

É, meu amigo escritor, os sentidos são verdadeiramente uma arma poderosa. Use-a! Não permita que seu leitor seja anestesiado.

Vou dizer algo francamente pra você, quanto mais sentidos usar mais viva a sua cena se torna. Como regra, posso afirmar que o leitor vai formar espontaneamente uma imagem e senti-la real se você usar no mínimo três sentidos ( E estou sendo bastante generosa) ;)

Vou usar um trecho do meu livro “O Vale das Borboletas” como exemplo, e ao ler, sinta-se obrigado a descobrir os sentidos que tornaram a descrição mais real.

Passamos no meio das borboletas que dançavam em volta de nós, o som dos pássaros parecia anunciar nossa chegada e caminhamos por um tapete verde que se acabava em uma piscina natural. Também havia uma pequena gruta cercada por samambaias que servia de abrigo quando a chuva chegava sem avisar. Lavamos as mãos na água, a temperatura estava mesmo ideal para o banho.

Que sentidos você conseguiu perceber? O som dos pássaros (audição); a temperatura da água (tato); as borboletas, a grama, a gruta, as samambaias (visão). Eu disse que você ia precisar usar no mínimo três sentidos, mas agora que você sabe disso preciso dizer que não é tão fácil assim.

Perceba que a visão é o sentido mais usado, mas nem por isso o mais fácil. Tem que haver uma sincronia e uma interação maior desse sentido para que a cena não fique sobrecarregada. Quando cito as borboletas estou brincando com um dos instintos mais poderosos do ser humano e de qualquer animal. Somos naturalmente atraídos por movimento porque estamos biologicamente programados para pensar que ou é um perigo potencial ou comida. Então, ao invés de colocar adjetivos coloque movimento, esse instinto nunca falha. Note que a ideia de movimento está em toda a descrição.

Outro truque fatal, que vai tornar a sua imagem definitivamente viva, é mostrar como ela continua existindo mesmo se o seu personagem ou leitor não estiverem nela. Quando cito a chuva estou  dando alma ao lugar que criei. Ele é mutável. O meu leitor consegue vê-lo de outro panorama. Ele muda com o tempo, com as estações. Você pode dizer como algo foi no passado ou como será no futuro, brique com a sua cena, faça com que ela seja memorável para seu leitor.

Isso foi muito pouco perto de tudo que você pode fazer com os sentidos, agora você precisa ser esperto e descobrir todas as outras possibilidades. E tenha em mente que deixar seu leitor anestesiado vai ser bastante frustrante ;)

Compartilhar conhecimento é multiplicar o que a gente sabe =D

Beijos no coração e comentários são sempre bem-vindos <3